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quarta-feira, 29 de abril de 2015

Cidade Educadora Âncora


“O mundo que nos cerca é o grande laboratório onde as 
experiências práticas acontecem e é lá que a criança pode 
aprender e também influenciar, 
com seu conhecimento, a vida dos pais e moradores.”
                                                 Walter Teixeira – Presidente do Projeto Âncora


O Projeto Cidade Educadora Âncora, contemplado pela Petrobrás desde 2014, trás o conceito das Comunidades de Aprendizagem para nossa prática cotidiana.

Bairro do Recanto Suave que o Projeto Âncora está inserido.

A criança sonha: 

Quando se percebe o sonho da criança, “aquilo que é necessário” para sua felicidade, de sua família, de sua comunidade, o próximo passo é a concretização do mesmo. A busca por uma comunidade “sábia e feliz”, que seja sustentável e conhecedora de seus direitos, deveres e possibilidades, conhecedora também de seus pontos fracos e promotora das soluções para seus problemas, é proposta a partir da criança. Uma comunidade sábia e feliz é aquela que privilegia um modelo autossustentável em todos os sentidos: ambiental, econômico, cultural e político.


Diversão com a água de reuso coletada pelo Projeto Cisterna, do educando Jean Marcos.

A cidade realiza:
Focamos na formação de educadores comunitários e de multiplicadores de iniciativas de aprendizagem colaborativa em outros espaços educativos, que não apenas as escolas, formando também uma rede de educadores-aprendizes voltados para o empreendedorismo social e comunitário. É necessário que “todos” cuidem de cada criança da comunidade. E, para isto, é preciso construir esta cultura.


Crianças na feira aprendem matemática, nutrição e educação financeira

Cisternas:

No verão 2013/2014, os educandos quiseram brincar com água para espantar o calor, mas em tempos de crise aguda deste fluido vital, a brincadeira foi trocada pelo projeto da Cisterna de armazenamento e reuso de água. Jean Marcos, 15 anos, levou o interesse em elaborar esse projeto ao seu tutor. Jean também participou de uma oficina de reuso de água promovida pelo TransitionTowns Granja Viana e já conseguiu seu primeiro cliente. Animadíssimo, está empenhado em transformar a atividade num ofício.


Preparação para banho com a Cisterna estudada e executada pelo educando Jean Marcos com auxílio 
das Comunidades de Aprendizagem.

Moda :

O projeto de moda pesquisou os anos 50 e as educandas Roberta Ferreira, Helen Amorin, Laysa Xavier, Raoni Pedrozo e Fernanda Teles, Isabela Giannuzzi construíram seus próprios figurinos com auxílio do atelier de costura da Zenil, avó da educanda Bia e paciente educadora na arte do corte costura e modelagem. No atelier da Zenil, localizado no Jardim Sta Maria, as meninas e um menino customizaram as camisetas do Projeto Cidade Educadora, com o intuito de tornar-las exclusivas de cada integrante. O vínculo com o atelier, mesclado com os conteúdos dos anos 50 fizeram deste projeto um tecido onde vivenciamos todos uma Comunidade de Aprendizagem, onde a cidade repleta de saberes, se torna uma fonte infinita de possibilidades educacionais, empoderando todos os envolvidos. O grupo também visitou a fábrica de tecidos Tavex, em Americana, o que ampliou os horizontes das crianças que puderam conhecer de perto o processo produtivo da indústria da Moda.
No atelier de costura da Zenil, o grupo de moda customiza camisetas do Projeto Cidade Educadora. 

Acabar com o Lixo do mundo:

Erik queria acabar com o Lixo no Mundo. Esta reflexão começou dentro de sua casa, sua rua e depois o seu bairro chamado Recanto Suave, local onde muitas das famílias assistidas pelo Âncora têm suas residências. Reuniões, encontros comunitários, mutirão de limpeza do córrego e muitas entrevistas foram feitas nesta comunidade. Erik, que neste momento já tinha outros amigos com ele na mesma missão,  perceberam que acabar com o lixo era tarefa impossível, mas melhorar a vida de sua comunidade era viável.
Grupo de educandos fazendo mapeamento no Bairro do Recanto Suave
 “O lixo atrapalha a passagem da água da chuva que deve ir para o esgoto e causa enchentes. A sujeira acumulada também atrai ratos e baratas, deixado a cidade feia e poluída. A saúde das pessoas também fica ruim.” Erik 11 anos.


Grupo na Roda de despedida no Instituto Humana Terra

O Projeto se transformou em “Ajudar a comunidade do Recanto Suave a construir uma vida melhor.”  Procuraram , encontraram e se articularam para passar um fim de semana com suas famílias no instituto HumanaTerra que promove Educação para Sustentabilidade através de vivências em Permacultura, Agroecologia e Cooperativismo.


Parede de bio construção feita pelas crianças, responsáveis e permacultores.

“Quando uma criança me ligou, disse que era do Âncora e que queria conhecer o Humanaterra, pois pesquisaram na internet que nós trabalhamos com tecnologias sustentáveis e ele estava interessado em melhorar a vida do seu bairro, meus olhos marejaram, precisei pedir licença, respirar para continuar a conversa” Amanda Frug, ecóloga fundadora do Instituto Humanaterra em São Lourenço da Serra.

Jornalismo:


As educandas Kaiane e Fernanda em visita a Rede Globo como parte do estudo do projeto do Jornalismo

“Como quero ser jornalista, pensei no projeto para que ele já me ajude a ir aprendendo como é que se faz um telejornal”, diz Fernanda Teles Silveira, 10 anos, idealizadora do projeto de jornalismo, que conta ainda com Camila Alves, Mariah Camati e Kayane Silva. Além de visitarem os estúdios da Rede Globo de televisão em SP, uma equipe de produção jovem  foi constituída  com a direção do vídeo maker Lucas Lima(16).



Fizeram o teaser do telejornal Buzina. O grupo foi gerando interesse, outras crianças se aproximaram e atualmente montamos a AAJ (Agência Âncora Jovem) que auxilia na Comunicação do Âncora abastecendo redes sociais, fazendo entrevistas e pesquisas e fotografando. No despertar de novos talentos Lucas Lima e Samuel Sales ganharam curso de fotografia no Estúdio Granja Viana.


A educanda Camila Pimental entrevista o professor José Pacheco para o Jornal Buzina.
Assim o Projeto Âncora vai construindo Comunidades de Aprendizagem, sonhando e realizando a Cidade Educadora de todos nós. 

 “A cidade é feita de lugares e emoções, 
é feita de gente, que constrói um viver comum. 
São as pessoas que fazem as cidades. 
São as pessoas que enchem os espaços de memórias, de sonhos, na 
multi dimensionalidade dos seus atos de viver.”
Professor José Pacheco


quinta-feira, 13 de novembro de 2014


O livro Aprender em Comunidade do Professor José Pacheco, nosso conselheiro, foi lançado na Bienal do Livro 2014, pela edições SM.  "Ao redigir 25 cartas, escritas no Brasil e para figuras que marcaram este país, o professor tem uma intenção clara – recordar aos educadores do presente que não podem ignorar o patrimônio de ideias e experiências do passado. Deste modo,
inscreve as suas próprias propostas educativas no tempo longo da História, evitando cair em
modas ou novidades, sempre inúteis, sempre passageiras. Uma pergunta atravessa todas as
missivas: porque é que falhamos? Por que razão não conseguimos pôr em prática os nossos
ideais?
Nise da Silveira
A pergunta é dura, inquieta-nos, desassossega-nos, mas tem de ser feita.
A adoção do gênero epistolar é muito interessante. Permite-lhe criar uma intimidade
ficcional com autores falecidos e, por esta via, aproximar-se do leitor, torná-lo cúmplice das
cartas que escreve. Define, assim, um espaço de jogo, entre ele, os autores e os leitores,
chamando, uns e outros, para uma conversa sobre os caminhos e descaminhos da escola. O
exercício é feito com uma sensibilidade particular e convida cada leitor a assumir a sua própria
responsabilidade pelas coisas da educação.

Lauro de Oliveira Lima

As cartas adaptam, invariavelmente, uma mesma estrutura: primeiro, a crítica, a
indignação, a injustiça que cometemos ao não reconhecer um determinado legado; depois, a
abertura, a esperança, a crença em novas possibilidades; no fim, um breve apontamento
biográfico sobre o destinatário da carta. José Pacheco não nos fecha numa inevitabilidade,
num discurso de lamentações resignadas, mas também não se deixa vencer pela ingenuidade
ou pelas ilusões. Ao pôr-nos diante dos problemas, abre-nos portas, convida-nos a entrar e
a descobrir que a Escola não tem de ser sinônimo do modelo escolar inventado na segunda
metade do século XIX e que perdura até aos dias de hoje. ".  (Antônio Nóvoa)



Florestan Fernades
Para finalizar, uma inspiração do eterno Drummond que nos faz ver que escola é parte inseparável do desenvolvimento social na construção de cidadãos pensantes e ativos.


Eu queria uma escola que cultivasse a curiosidade de aprender 
que é em vocês natural.
Eu queria uma escola que educasse seu corpo e seus movimentos: que 
possibilitasse seu crescimento físico e sadio. Normal.
Eu queria uma escola que lhes ensinasse tudo sobre a natureza, o ar, a 
matéria, as plantas, os animais, seu próprio corpo. Deus.
Mas que ensinasse primeiro pela observação, pela descoberta, pela 
experimentação.
E que dessas coisas lhes ensinasse não só o conhecer, como também a 
aceitar, a amar e preservar.
Eu queria uma escola que lhes ensinasse tudo sobre a nossa história
e a nossa terra de uma maneira viva e atraente.
Eu queria uma escola que lhes ensinasse a usarem bem a nossa língua, 
a pensarem e a se expressarem com clareza.
Eu queria uma escola que lhes ensinassem a pensar, a raciocinar, 
a procurar soluções.
Eu queria uma escola que desde cedo usasse materiais concretos 
para que vocês pudessem ir formando corretamente
os conceitos matemáticos, os conceitos de números, as operações...
pedrinhas... só porcariinhas!
... fazendo vocês aprenderem brincando...
Oh! meu Deus!
Deus que livre vocês de uma escola em que tenham que copiar pontos.
Deus que livre vocês de decorar sem entender, nomes, datas, fatos...
Deus que livre vocês de aceitarem conhecimentos "prontos",
mediocremente embalados nos livros didáticos descartáveis.
Deus que livre vocês de ficarem passivos, 
ouvindo e repetindo, repetindo, repetindo...
Eu também queria uma escola que ensinasse a conviver,
a cooperar, a respeitar, a esperar, 
a saber viverem em comunidade, em união.
Que vocês aprendessem a transformar e criar.
Que lhes desse múltiplos meios de vocês expressarem 
cada sentimento, cada drama, cada emoção.
Ah! E antes que eu me esqueça: Deus que livre vocês
de um professor incompetente. 
(Carlos Drummond de Andrade)