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quinta-feira, 29 de junho de 2017

Carta do Mês de junho


Cotia,  junho de 2017


Caros amigos,

Já não conseguimos mais contar em uma mão o número dissertações de mestrado que tem o Projeto Âncora como pano de fundo.

A mais recente foi escrita por Davi Sampaio da Universidade Federal do Rio de Janeiro, Instituto de Economia, Programa de pós-graduação em políticas públicas, estratégias e desenvolvimento.

Resultado de imagem para teses mestrado
O que tem encantado tantos jovens pesquisadores de tantas e diversas áreas como psicologia, arquitetura, pedagogia, economia?
Talvez o frescor e a atualidade da maneira como tratamos a aprendizagem e a gestão democrática da entidade.

A dissertação do Davi tem o título: Uma escola na economia do conhecimento e aprendizado: análise do Projeto Âncora sob a perspectiva de mudança de paradigma tecnoeconômico.

Davi conclui, após 160 páginas que:
"Esta dissertação corrobora os estudos aqui apresentados sobre as dinâmicas existentes em organizações intensivas em conhecimento no que diz respeito à pertinência da redução das hierarquias e o estabelecimento de autonomia dos membros da organização, a importância da cooperação, da interação entre os diversos setores e entre a Organização e os usuários para a produção de novos conhecimentos e o aperfeiçoamento das atividades e o surgimento de inovações.

No que diz respeito aos estudos sobre organizações escolares com o uso dos conceitos aqui discutidos, este estudo difere dos demais por ter analisado um caso no qual as crianças têm papel ativo na realização e desenvolvimento das atividades escolares. Constatou-se que esta característica possui uma dimensão central nesta Escola e possibilita que a dinâmica de produção de conhecimento e realização de mudanças seja intensa. Neste sentido, o caráter de interação da Organização com seus usuários se mostra muito importante.



Verificou-se que as rotinas estão imersas em um contexto de compartilhamento de sentido de modo que os conhecimentos são transferidos entre as pessoas e a organização criando uma compreensão comum e contribuindo com o aprendizado dos indivíduos e da organização. Os indivíduos se organizam de modo a construir coletivamente estratégias de resolução de questões e proposição de novas rotinas e atividades. Através da dinâmica proporcionada pelas rotinas, novos conhecimentos são criados, codificados e incorporados às rotinas individuais e à memória da organização. Identificou-se que as novas tecnologias da informação representam papel importante nos processos de aprendizagem e nas demais dinâmicas da organização.

Os elementos apresentados e analisados nesta experiência escolar podem fornecer insights importantes para o aperfeiçoamento das práticas pedagógicas de outras instituições de ensino. No que diz respeito à contribuição que esta pesquisa pode apontar para a construção de políticas públicas , destaca-se que estas experiências já são possíveis através do arranjo legal e institucional do país."

Que venham muitas mais!

Abraço fraterno.
Regina Machado Steurer
Conselheira Projeto Âncora

Tese na íntegra na íntegra neste link: teses/2017/davi_oliveira_sampaio__b7690.pdf  que:


quarta-feira, 17 de maio de 2017

Carta do mês de maio


Cotia, de maio de 2017

Caros amigos,


Um genocídio em curso na Síria, no Brasil assassinatos nas periferias, no campo, assassinato de lideranças populares e indígenas beira também um genocídio. O dinheiro para tornar mais justo um país distribuindo renda e serviços básicos vai parar no bolso de políticos e partidos, com empresas que davam orgulho ao país despencando e levando ao desemprego tantas mães e pais de família. Crianças botam fogo em escolas, batem em professores, não aguentam mais a pressão. Jovens se suicidam em jogos virtuais. Não há lideranças políticas. Não sabemos mais quem é o bandido e quem é o mocinho.

Quadro de fim do mundo?
Não!



Quadro do fim de um mundo, de uma era. Estamos bem no meio de uma mudança de era. Mudança radical. Quem enxerga já pode ver que os modelos estão ruindo como as geleiras. Modelo de crescimento econômico. O próprio crescimento da economia! Modelo político partidário. Modelo de família. Modelo agrícola. Modelo urbano. Modelo pedagógico.
Entraremos numa era sem modelos. Sem padrões, sem fôrma, sem molde. Será uma época de criatividade, de economia colaborativa, de decrescimento (ver O Pequeno Tratado do Decrescimento Sereno de Serge Latouche), de moeda local, de outra forma de fazer política, outra forma de ocupar o território, de se juntar mais afetivamente, de plantar, de aprender com prazer. Cada comunidade local criando seu próprio jeito. Por que um único sistema mundial monetário? Um único jeito de ser escola ou ser família?



O documentário Demain  fala dessa transição mostrando experiências já em curso em diversos locais do mundo nas áreas da política, da economia, da educação, da energia e da agricultura.
Ainda temos um pé no passado e outro no futuro. Ainda estamos em transição, mas não tem volta.

O Projeto Âncora deu seu passo ao desmontar o modelo de escola que existe há mais de 200 anos e que não está mais funcionando. Professores infelizes e crianças ficando doente, sendo medicadas para poderem aguentar a tortura a que são obrigadas. Não faz mais nenhum sentido hoje, aulas, provas, todo mundo tendo que aprender a mesma coisa no mesmo tempo, presos dentro de uma sala, algumas com grades, quando o mundo é a escola, e o conhecimento está na palma da mão, no celular.



Ao mesmo tempo em que pensamos solidariamente na Síria e nos nossos próprios genocídios, será agindo localmente, onde vivemos, nas nossas famílias, escolas, cidades, bairros, condomínios, comunidades, que poderemos ter poder de impedir injustiças e explorações. Com certeza acharemos todos, na correria e na dureza da vida, alguma comunidade para estarmos juntos refletindo e ajudando na construção desse novo mundo.



Abraços sempre esperançosos,


Regina Machado Steurer
Conselheira Projeto Âncora


terça-feira, 28 de março de 2017

Carta do mês de março


Cotia,  março de 2017



Caros amigos,

“Ter um propósito claro, bons profissionais, bons ingredientes, questionar tudo para chegar à essência das coisas, se perguntar o que é melhor para o planeta, quais as nossas responsabilidades com as comunidades, quais as responsabilidades para o futuro.”

Dan Barber não é educador e sim renomado chef em Nova York. Educador, chef, produtor rural ou qualquer outra profissão que se queira desenvolver com responsabilidade e ética implica as questões sobre as quais ele tem se debruçado nos últimos anos.

Dan vai além dos fetiches criados por chefs famosos e pensa em toda a cadeia de produção, questiona o modelo industrial, mas vai além e questiona também as monoculturas e a não rotação necessária à manutenção de uma terra saudável.

O Projeto Âncora trabalha com educação. Educação integral da criança, mas também das famílias, dos educadores e gestores da organização. E quanto mais questionamos o modo tradicional e automático de fazer as coisas, mais vamos à essência das coisas e nos perguntamos o que é melhor para as crianças, para as comunidades, para o futuro do planeta e o futuro da humanidade.

Todas essas questões nos fazem enxergar as conexões entre economia e política, entre filosofia e história, entre ética e estética, entre tradição e modernidade. Entre tantos grupos de trabalho ou grupos de responsabilidade que incluem adultos e crianças, pais e educadores, funcionários e voluntários, possuímos grupos de agricultura urbana, grupo de economia solidária, grupo de alimentação, grupo de política, grupo sobre bullying. Aprendemos uns com os outros e com os problemas. Não há melhor maneira de aprender porque aprende-se com sentido. E só o que faz sentido permanece.

O caminho do Âncora e o de Dan Barber e de tantos outros que estão trabalhando para outro modelo de mundo e de humanidade se encontram num mesmo propósito.

Grande e fraterno abraço.



Regina Machado Steurer
Conselheira Projeto Âncora




quinta-feira, 16 de fevereiro de 2017

Carta do mês de fevereiro


Cotia, fevereiro de 2017
Caros amigos,

“Caminante, son tus huellas
el camino y nada más;
Caminante, no hay camino,
se hace camino al andar.
Al andar se hace el camino,
y al volver la vista atrás
se ve la senda que nunca
se há de volver a pisar.
Caminante no hay camino
sino estelas en la mar.”




Antonio Machado ensina que é caminhando que se faz o caminho.
Qual o caminho para uma sociedade justa e ética, nos perguntamos.
O que vem antes, o ovo ou a galinha? O que muda antes, o mundo ou as pessoas?

A galinha bota o ovo e o ovo contém a galinha. São inseparáveis. As pessoas mudam mudando o mundo. O mundo mudado muda as pessoas.

Somos nós, cada um de nós que, ao mudarmos, faremos um país e um mundo com estruturas mais justas, e serão essas estruturas que nos impedirão de sermos injustos e não éticos, em constante dialética de interação transformadora.

Não há caminho se não o fizermos.

Que possamos estar juntos em 2017 e mudar esse mundo tão carente de sonhos possíveis.

Grande e fraterno abraço.



Regina Machado Steurer
Conselheira Projeto Âncora


segunda-feira, 16 de janeiro de 2017

Carta do mês de janeiro


Cotia,  janeiro de 2017

Caros amigos,

Procurando um tema para uma carta que inicia um novo ano, um novo ciclo, a esperança, em tempos tão sombrios, parece ser propícia.

Paulo Freire, o mais citado teórico brasileiro em trabalhos acadêmicos no mundo, cuja pedagogia já foi utilizada com sucesso em vários países, cunhou o verbo "esperançar", fazendo da esperança verbo e ação.

Torna-se cada vez mais consenso que, não só o Brasil, mas o mundo todo está passando por uma crise. Estamos em transição para outro modelo de mundo e de organização das relações e comportamentos. 

Dois caminhos parecem se apresentar. Um que abandona os modelos obsoletos e se empenha na construção do novo.  E outro que, resistindo às mudanças, se agarra a um eventual passado áureo e, dessa forma, atrasa o novo ciclo da inovação e renovação.
Mas o novo irrompe, queiramos ou não. 

O Projeto Âncora há duas décadas trabalha para a construção de um novo desenho de educação e de desenvolvimento social com a missão de contribuir com um novo modelo de mundo e de humanidade.

Para o Projeto Âncora não há verbo mais importante do que "esperançar". Esperançamos dia a dia, contra tudo e todos que queiram alimentar o mundo velho que destrói o planeta, que empobrece, adoece e exclui parte da humanidade do banquete da vida.

Obrigado pelo seu contínuo apoio e Feliz 2017!

Quer nos ajudar a construir um centro cultural comunitário?
Acesse o link, hoje é o último dia da campanha. É simples, rápido e solidário:


Regina Machado Steurer
Conselheira Projeto Âncora


quinta-feira, 15 de dezembro de 2016

Carta do mês de dezembro



Cotia, 1º de dezembro de 2016

Caros amigos,
Dia 29 de novembro é comemorado o Dia do Doar, criado em 2012 por uma organização de Nova York, em contraponto ao Black Friday. 
Também no Brasil é forte o movimento de doação nessa época do ano.
Muitas empresas organizam grupos de funcionários voluntários para doarem seu tempo e habilidades em entidades sociais.
E toda doação tem sempre mão dupla, é uma troca.

O que o Projeto Âncora doa para todos aqueles que oferecem seu trabalho voluntário, destinam a porcentagem possível de seu Imposto de Renda devido, respondem às diversas campanhas ou doam mensalmente? 

O Projeto Âncora doa a certeza de que um novo Brasil está sendo gestado debaixo da lona que nos cobre, um outro mundo possível, inclusivo, rico porque compartilhado, justo e livre. Retribui com o desenvolvimento de uma tecnologia de educação que abarca todos, crianças, jovens e adultos em relação entre si e com o mundo que nos cerca, e multiplica essa experiência por todos os cantos do país, em escolas públicas e privadas, organizações empresariais, ongs e governo.

Para continuar essa missão que tem encantado e esperançado tanta gente, o Projeto Âncora precisa muito de investimento financeiro. Duas ações são fundamentais nesse momento: a doação da parte possível do seu Imposto de Renda devido (pessoas físicas e jurídicas), para isso, podemos te orientar como fazer (entre em contato pelo site
www.projetoancora.com.br). Outra forma é a adesão à campanha de financiamento coletivo que vai até o final do ano e que nos possibilitará dar mais um passo na transformação do nosso circo em um Centro Comunitário regional. O link é  
https://www.kickante.com.br/campanhas/projeto-ancora-inovacao-na-educacao e basta seguir as orientações da plataforma Kickante como aparece no vídeo.

Foi com a sua participação e de outras centenas de parceiros que chegamos até aqui.
Deixe sua marca na história dessa entidade que vem fazendo história.
Deixamos nossos votos de boas festas, esperança e o desejo de muito entusiasmo para transformar a realidade que impactou a todos em 2016.


Regina Machado Steurer
Conselheira Projeto Âncora


terça-feira, 11 de outubro de 2016

Carta do Mês de Outubro



Cotia 1º de outubro de 2016                                           


Caro amigo,

Comemorando os 21 anos do Projeto Âncora, reproduzimos abaixo matéria do Jornal D'aqui, mais antigo jornal da cidade. Aproveito a ocasião e o momento de celebração para agradecer a parceria e amizade e parabenizar a todos os âncoras desse sonho coletivo.

Grande e fraterno abraço.

Regina Machado Steurer
Conselheira Projeto Âncora




ESPECIAL ÂNCORA, 21 ANOS. EXTRAPOLANDO MUROS, SOMANDO RIQUEZAS

Enquanto candidatos discutem a construção de novos prédios escolares, novos centros, o Projeto Âncora aponta outros caminhos para aprendizagem e abre o próprio espaço para ocupação. “A educação pode acontecer em um teatro fora do horário de espetáculo, em um hall de condomínio, na praça. Existe espaço ocioso nas cidades e é preciso ocupá-lo”, argumenta a arquiteta e co-fundadora do Âncora, Regina Machado Steurer. E não se trata apenas de espaço, mas também de conteúdo educacional. Todos, espaços e pessoas, podem se tornar poderosos agentes pedagógicos.
Das tantas inspirações que tornaram o Projeto Âncora uma realidade, há 21 anos, uma delas era abrir caminhos para a escola pública por meio de novos experimentos educacionais. A Cidade Educadora, este conceito onde todo o território do bairro e da cidade é também de aprendizagem, em evolução no Projeto Âncora, já tem muitos “cases de sucesso” para relatar.

Exemplo: um grupo de meninas definiu o tema “Moda nos Anos 50” como projeto de aprendizagem. A avó de uma delas, dona Zenil, costureira, foi abordada se poderia dar algumas aulas de corte, costura e modelagem. E as tardes  se transformaram em uma oficina, onde ela também sentiu o prazer do ofício de educar. Cortaram, montaram, ouviram histórias e fizeram seus próprios figurinos.
Projeto de moda dos anos 50 no atelier da Zenil no Jd Santa Maria

Cisterna feita pelo ex educando Jean Marcos










Outro: num dia quente, durante o racionamento de água, as crianças não puderam brincar como queriam se refrescando com mangueiras e afins. A curiosidade do aluno Jean Marco, então com 15 anos, sobre a escassez, o levou a criar um novo projeto: fazer cisternas para reuso da água. O grupo Transition Towns Granja Viana foi o agente pedagógico e desse processo saíram uma cisterna para a escola, outra para a casa de Jean Marco e de mais dois outros amigos.
Matemática, nutrição, finanças e relações públicas são alguns dos aprendizados que as crianças absorvem num dia de feira
E dezenas de projetos que acontecem a todo momento no Âncora, de acordo com a curiosidade do “menino”. Quanto de matemática, história, geografia, português entrou em cada um desses projetos no processo do “fazer”? De forma eficiente, o que aconteceu ali foi uma vivência intensa de conhecimento e sua usabilidade em questões concretas do dia-a-dia.
Na caminhada "exploradores" o mapeamento do próprio bairro é entendido como território de educação

De fora para dentro – Se as portas estão abertas para que os alunos encontrem seus novos educadores no bairro ou na cidade, o Projeto Âncora também está de braços abertos para recebê-los, por meio do movimento “Okupa Âncora”. Todas as dependências dos 12 mil m2 podem ser otimizados por artistas, oficineiros de toda espécie, professores de dança, circo, idiomas e o que mais for possível. De manicures a executivos home office que precisam de uma mesa e wi-fi. Basta para isso, contribuir com a troca de conhecimento ou até mesmo, financeiramente. O que você pode ensinar? Tem sempre alguém que pode aprender. E somar riquezas com o Âncora.
Link desta matéria:

Link da matéria - comemoração dos 21 anos:

terça-feira, 6 de setembro de 2016

Carta do Mês de Setembro

Caros amigos,

Inaugurando o mês de aniversário de 21 anos do Projeto Âncora, está no ar neste dia 01 de setembro, às 21h, no Canal Futura, o primeiro documentário da série produzida em parceria com o SESI, "Destino: Educação - escolas inovadoras". Dez países foram escolhidos, 12 escolas selecionadas, para apresentar como estão criando a educação do século XXI. O Projeto Âncora tem a honra de abrir o primeiro episódio da temporada. 

No arquivo anexo o artigo do O Globo, que ilustra a importância do Projeto Âncora nesse momento de maioridade.

Venha celebrar conosco! Dia 24 de setembro, das 11h às 16h, estaremos em festa com apresentações artísticas, comidinhas, sarau, brincadeiras, circo, feira de economia criativa com: trocas, artesanato, moda e bazar solidário. Traga utensílios e roupas em bom estado e que não usa mais e troque por outras de maior necessidade no momento. Também vale doar para o bazar. Será uma alegria compartilhar deste dia especial com você!


Grande e fraterno abraço.


Regina Machado Steurer
Conselheira Projeto Âncora





O futuro no presente
Uma escola inovadora dialoga com as novas tecnologias
POR DEBORA GARCIA
22/08/2016 0:00

O que torna uma escola inovadora? O que permite que acompanhe a velocidade da sociedade, as mudanças profundas pelas quais o mundo passa e ajude a criar soluções novas para os problemas que se apresentam? O que se percebe é que o atual sistema educacional se mostra distante das necessidades de crianças e jovens do século XXI. O modelo tradicional não retém mais o interesse dos alunos e não os prepara para lidar com os desafios desta geração.
Uma escola inovadora dialoga com as novas tecnologias, sem vê-las como ameaça e, sobretudo, percebendo-as como aliadas no processo de ensino-aprendizagem. E rompe com as barreiras clássicas de organização do espaço escolar, apostando na troca, nos ambientes coletivos compartilhados, nos trajetos pedagógicos que consideram o ritmo e necessidades de aprendizagem particulares de cada aluno/aprendiz. Uma escola que admite que se aprende mais e melhor quando o conteúdo faz sentido naquele contexto, amplia horizontes, expande a compreensão de mundo e apresenta ao aluno dimensões que ele desconhecia. É um lugar que incentiva o trabalho em grupo, a resolução de problemas, a reflexão e a ação.
Nessas escolas “do futuro” que acontecem no presente, o papel do professor é reconfigurado, e ele se torna pesquisador, articulador e facilitador de processos de aprendizagem, exercendo papel fundamental de tutoria de alunos. Esses aprendizes também reconstroem seu papel na escola: são mais autônomos, mais proativos, corresponsáveis pelos seus percursos de aprendizagem, pavimentando coletivamente seu caminho educativo. É preciso repensar o papel da escola e acreditar que há tantas formas inusitadas de aprender quanto maneiras criativas de ensinar.
E onde estão estas escolas? Espalhadas pelo mundo: do Brasil à Finlândia, encontramos exemplos de que é possível transformar a educação. Há escolas que não têm salas de aula, nem turmas, nem provas, caso do Projeto Âncora, em São Paulo. Outras promovem a integração multicultural — como o Ginásio Orestad, na Dinamarca, onde boa parte dos alunos é imigrante ou descendente de não dinamarqueses — e estimulam a criatividade — como a Steve Jobs School, na Holanda, que permite que seus alunos fiquem descalços para que se sintam à vontade, como se estivessem em casa.
Em comum, elas têm o objetivo de fazer o aluno gostar de aprender e perceber a importância deste processo. Escolas que impressionam pela beleza dos espaços, pela felicidade dos alunos, pelo engajamento de professores e gestores, mas também pela satisfação dos pais em ver seus filhos se desenvolverem em uma aprendizagem plena de sentido. O Canal Futura documentou o trabalho dessas e de outras unidades em nove países para a série “Destino: Educação — Escolas Inovadoras” (produzida em parceria com o Sesi Nacional), que estreia dia 1º de setembro.
Há espaço para inovação sempre. Inovar não é modismo, mero ornamento. É algo imperativo. Condição sem a qual dificilmente avançaremos como cidadãos, como sociedade, como nação.

Debora Garcia é gerente de Conteúdo e Mídias Digitais do Canal Futura http://oglobo.globo.com/opiniao/o-futuro-no-presente-19961891


sexta-feira, 12 de agosto de 2016

Carta do mês de agosto


Cotia, agosto de 2016


Caros amigos,

Prestes a completar 21 anos, o Projeto Âncora vem dando mostras de sua maturidade e cumprindo seu propósito inicial. Um bom indicador dessa maturidade é o envolvimento, cada vez mais forte, da comunidade Âncora, que tem ocupado espaços de gestão e poder dentro e fora da entidade, construindo outra forma de ser e estar no mundo, cooperativa, sistêmica, sustentável.
Com essa maturidade perceptível, o Projeto Âncora está se multiplicando pelo Brasil, com desenhos adaptados à cultura local. Novas personalidades jurídicas estão nascendo dentro do próprio Âncora, uma organização de pais e amigos, outra com fins culturais e artísticos, outra para cuidar especificamente da escola. Estamos dando cria.
O circo, que sempre foi o símbolo do Projeto Âncora, graças aos nossos parceiros, foi refeito em campanha que durou dois anos. Este circo também amadureceu e,  na sua maioridade, se transforma em um Centro Cultural da região. Uma região sem espaços culturais públicos.
No mês do aniversário do Âncora vamos iniciar uma campanha de financiamento coletivo para aparelharmos este novo Centro Cultural com iluminação, som, imagem e novos aparelhos de circo. Todos serão convidados a colaborar e multiplicar a campanha em suas próprias redes.
O Projeto Âncora está cada vez mais vivo, cada vez mais criativo, assumindo cada vez mais sua missão de tornar possível uma vida feliz e sábia para toda a humanidade.
Rumo aos 21! Junto com você!

Regina Machado Steurer
Conselheira Projeto Âncora